Dá por si a ter mais fome quando está em casa?

Durante estes tempos em que estamos confinados a casa, com certeza que existem mais alimentos na despensa do que o habitual. Há momentos em que dá por si a ter mais dificuldades em lidar com o stress e, por isso, come mais? O que pode fazer?

Antes de mais, é importante saber que se se sente angustiado por reparar que come mais numa tentativa de se acalmar, é perfeitamente natural, especialmente nos tempos em que vivemos!

Estes tempos são difíceis. Ninguém estava preparado para lidar com isto e ninguém consegue prever o que vai acontecer. É um momento de um stress avassalador. Pode ter perdido o emprego, pode ter de trabalhar mais horas nas linhas da frente, pode ter sido mandado para casa da faculdade, pode estar longe dos seus entes queridos ou em casa com pessoas com quem não tem um relacionamento fácil. Pode estar aborrecido, stressado ou sozinho. Ir às compras é mais difícil, compra mais para não ter de ir tantas vezes ao supermercado. Não está habituado a ter acesso a uma cozinha que está sempre abastecida.

Além disso, a estrutura do dia-a-dia quebrou a rotina que existia. Se acha que está frequentemente na cozinha, a pensar na sua próxima refeição, a comer mais do que pensa ou stressado, não se preocupe, não está sozinho.

O que é a “fome emocional”?

A “fome emocional” não é um termo clínico, mas é um termo que se usa para descrever o fenómeno de comermos em resposta a um estado emocional, em vez de comermos por termos fome. As pessoas, naturalmente, comem por variadas razões – estados emocionais, por exemplo – e é algo perfeitamente normal.

No entanto, a fome emocional é vista como algo negativo. Culturalmente não é bem aceite se comermos em resposta a qualquer coisa que não seja a fome. A cultura das dietas leva-nos a acreditar que comer em resposta a uma emoção é um grande problema, o que é um mito.

Além disso, alguns estudos demonstram que a “fome emocional” é mais comum em pessoas que não se alimentam o suficiente, ou seja, aquelas pessoas que não comem o suficiente para suprir as suas necessidades energéticas podem encontrar nos alimentos uma maior gratificação, o que pode contribuir para a compulsão alimentar.

Por outras palavras, não há nada de errado se achar que a comida é uma das coisas a que recorre durante um período stressante. É normal celebrar ou acalmar com a comida e essa é uma ferramenta que pode usar para lidar com as emoções. No entanto, pode tornar-se um problema se esta for a única e exclusiva ferramenta a que recorre.

Já sofreu ou conhece alguém que sofra de alguma perturbação alimentar?

Como sabemos que podemos estar perante uma perturbação alimentar? Veja se já experienciou ou conhece alguém que apresente os seguintes sintomas:

  • Pensamentos obsessivos acerca de comida impedem-no de fazer outras coisas;
  • Está a comer uma quantidade excessiva de alimentos num curto espaço de tempo e sente-se descontrolado ao fazê-lo;
  • Salta refeições;
  • Elimina algum grupo de alimentos (sem uma razão médica);
  • Vomita
  • Usa laxantes
  • Faz exercício físico excessivamente

Se alguns destes comportamentos são uma resposta ao stress actual ou alguns já se manifestam há algum tempo, fará sentido saber um pouco mais acerca deste tema.

E as recaídas?

Nesta fase stressante, as pessoas que já recuperaram de uma perturbação do comportamento alimentar podem voltar a ter determinados comportamentos que tinham no passado. Tal não é novo e não é um motivo para se envergonhar, pois, o progresso nunca é linear, nem nas melhores circunstâncias.

As recaídas são mais comuns em períodos de stress. Reserve um tempo para reflectir sobre as estratégias que o ajudaram durante a recuperação e elabore um plano para as por em prática novamente. Este plano pode incluir um planeamento das refeições, um diário alimentar, contactar um profissional de saúde mental ou voltar a contactar o seu nutricionista.

Dominar o impulso de ir à cozinha

Apresento-lhe algumas ferramentas que pode por em prática para aliviar os impulsos das idas à cozinha.

Verifique se está a comer o suficiente

Não é necessário reduzir a quantidade que come apenas porque está em quarentena em casa. Por vezes, a restrição alimentar leva-nos a episódios de compulsão alimentar, o que por sua vez, resulta no indesejado: aumento de peso. Ao comer o suficiente e regularmente ao longo do dia, reduzirá episódios de stress ou de comer o que não está planeado. Assim, também ajudará a estabilizar os níveis de açúcar e a regular o humor.

Aumente as suas estratégias

Considere outras atividades que o podem ajudar a tranquilizar-se, a distrair-se ou libertar alguma ansiedade. Estas actividades podem ser criar um diário, pintar, telefonar ou enviar mensagens a um amigo, dar um passeio curto (mantendo o distanciamento social), fazer uma meditação guiada ou tomar um banho.

Mantenha-se conectado

Durante este período de distanciamento social, é mais importante do que nunca manter o contacto com os outros. Certifique-se que mantém o contacto com amigos, familiares e colegas de trabalho. Afinal, reconhecemos que os ecrãs são bons aliados nos tempos que correm.

Pratique a auto-compaixão

Comer mais do que pretendia pode ser angustiante. Se se fixar nesta ideia, estará apenas a aumentar a sua angústia.

Seja gentil consigo mesmo, da mesma forma que conversaria com um amigo próximo para o tentar tranquilizar e compreender.

Resista ao desejo de compensar

Pode sentir a necessidade de restringir ou de adoptar outros comportamentos, de forma a tentar diminuir o impacto da sua alimentação. No entanto, estes comportamentos apenas perpetuam um ciclo de compulsão alimentar.

Perceba em si mesmo o que necessita momento a momento. Mesmo que os outros à sua volta falem sobre as suas dietas ou dos exercícios que têm feito, não precisa de fazer o mesmo.

Cuide de si

É essencial protegermos o nosso bem-estar mental. Aproveite este tempo para desacelerar e descansar. Tente alimentar-se bem, dormir o suficiente e ser gentil consigo mesmo.

Procure ajuda

Não tem de se sentir sozinho neste período que atravessamos. Mesmo que viva sozinho ou tenha recursos limitados, existem apoios disponíveis para si. Procure na sua área de residência que serviços estão a oferecer no formato online e que opções lhe dão.

Qual foi o interesse que este artigo teve para si?

Cristiana Pereira
Cristiana PereiraPsicóloga Clínica
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