Pensamentos intrusivos: o que são e como lidar?

Tempo de Leitura: 6 min

O que são pensamentos intrusivos?

Já alguma vez se sentiu atormentado por pensamentos intrusivos ou imagens que simplesmente não queria ter? Talvez aquele pensamento irritante, “cometi um erro” ou “acho que tenho algo de errado comigo” ou “vou perder o controlo”.

Neste momento, está a lutar contra a sua mente e surge outro pensamento, como: “as pessoas normais não têm estes pensamentos”. É como se uma parte de si tivesse medo do pensamento e, por isso, representa algo muito negativo sobre si ou talvez seja punido por isso.

Chamamos a este tipo de pensamentos, os “pensamentos intrusivos”!

Veja o que faz habitualmente  aos pensamentos intrusivos

Estes pensamentos parecem interferir consigo e, naturalmente, tenta bloqueá-los, pensando para si próprio:

“Lá vem aquele pensamento outra vez.”

“O que há de errado comigo para que esteja a pensar nisto?”

“Deve querer diz qualquer coisa.”

“Tenho de fazer qualquer coisa e ter a certeza que não se torna uma realidade.”

“Tenho de parar de ter este pensamento.”

O grande desafio neste tema não são os pensamentos intrusivos, mas sim, a forma como os avalia, como tenta eliminá-los e como evita situações que os despoletam. Por outras palavras, o problema não é o pensamento, mas o que tenta fazer com o pensamento!

Por isso, é importante termos em mente as seguintes regras:

  1. Todos temos pensamentos loucos e indesejados.
  2. Os pensamentos não são o mesmo que a realidade.
  3. Tentar eliminar os pensamentos não funciona.

Estudos com pessoas sem perturbações da ansiedade mostram que cerca de 90% têm pensamentos “bizarros”, como pensamentos sobre contaminação, magoar alguém, perda de controlo, etc. Todos nós já pensámos nisto antes. Então, talvez, os seus pensamentos “estranhos” não signifiquem nada sobre si e todos esses pensamentos façam parte da nossa imaginação!

Os pensamentos e a realidade não são o mesmo. Experimente pensar num pote de ouro. Pense nisso o dia todo. Deseje isso. No final do dia, tudo o que terá serão apenas muitos pensamentos. E, infelizmente, os pensamentos não podem ser trocados pelo ouro…

Além disso, tentar eliminar um pensamento não funciona. O pensamento volta sempre. Vou pedir-lhe que não pense em ursos brancos neste momento. O que é que acontece? A supressão do pensamento conduz-nos sempre à recuperação desse pensamento.

Os pensamentos intrusivos têm sido alvo de vários estudos por parte de psicólogos e, por exemplo, os psicólogos canadianos Christine Purdon e David Clark referem que as avaliações e as estratégias de controlo dos pensamentos e imagens intrusivos são características centrais das perturbações de ansiedade. As pessoas com Perturbação Obsessiva-Compulsiva tentam eliminar e neutralizar pensamentos e imagens, muitas vezes com rituais compulsivos. Por outro lado, as pessoas com ansiedade social tendem a interpretar os seus pensamentos intrusivos sobre “parecerem ansiosos” como o equivalente a serem humilhados. E as pessoas com Perturbação Stress Pós-Traumático tendem a ter as suas imagens e sensações intrusivas como evidência de que o trauma está a acontecer neste preciso momento. É como se estivéssemos a fugir da nossa mente.

É como tentar fugir da nossa própria sombra. Por muito que tentemos fugir, ela estará sempre lá!

Perguntas Frequentes (FAQ’s)

Não. Ter um pensamento intrusivo (mesmo que violento ou bizarro) não significa que o vá realizar ou que ele defina o seu caráter. São apenas “ruído” cerebral exacerbado pela ansiedade. O perigo não está no pensamento, mas no sofrimento e na exaustão que ele causa quando tentamos lutar contra ele.

A técnica mais eficaz não é tentar “parar” o pensamento (isso gera o efeito inverso), mas sim a aceitação radical. Ao rotular o pensamento como “apenas um pensamento intrusivo” e não lhe dar importância emocional, ele perde força e acaba por se dissipar naturalmente.

Deve procurar ajuda profissional quando os pensamentos se tornam obsessivos, ocupam grande parte do seu dia ou o levam a realizar rituais (compulsões) para os aliviar. A Terapia Cognitivo-Comportamental (CBT) e a Terapia de Aceitação e Compromisso (ACT) são o padrão de excelência para tratar estas situações com sucesso.

Cristiana Pereira
Cristiana PereiraPsicóloga Clínica
2026-05-11T15:59:57+01:0023 de Agosto, 2017|
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