A transparência da criança pode ser ou não a sua proteção

A transparência da criança pode ser ou não a sua proteçãoA transparência da criança pode ser ou não a sua proteção

Num mês em que falamos dos maus tratos na infância, é importante percebermos a que riscos as crianças podem estar expostas e como de algum modo podemos procurar prevenir alguns incidentes que possam ser marcantes nas suas/nossas vidas.

O perigo a que as crianças e adolescentes podem estar sujeitos encontram-se na rua, na escola, nos espaços sociais, em casa, por diferentes vias e perante diferentes pessoas, próximas ou não. Cabe-nos a nós estarmos atentos, desenvolver comportamentos de segurança e tentar promover atividades que ajudem a lidar com as emoções e a encontrar o bem estar e a felicidade.

Hoje em dia ouvimos falar de bullying, riscos relacionados com a internet (falsos perfis, Momo, novamente o bullying, chantagem…). Outros crimes existem como a violência sexual, exploração infantil, raptos (estes podem ser feitos apenas por adultos, ou por adultos com a ajuda de crianças ou animais) e negligência. Os agressores podem ser próximos ou não às crianças/adolescentes (desconhecidos, conhecidos, familiares, amigos, namorados, professores, treinadores…).

O que podemos desde cedo ensinar-lhes:

  • Fugir sempre que um carro pare perto de si para lhe pedir informações ou simplesmente falar com eles
  • Procurar agarrar-se às pernas de alguém que o procure levar impedindo que a pessoa consiga correr
  • Nenhum adulto lhe deve pedir segredos, caso aconteça pode sempre confiar em si para contar, mesmo que essa pessoa lhe tenha metido medo, pois vai protegê-lo
  • Faça-o sentir que consigo ele pode sentir-se seguro, que pode sempre confiar e não precisa ter vergonha
  • Sempre que se sinta estranho perto de um adulto, sinta o coração a acelerar, ou a bater, ou um arrepio, ou algo estranho no seu corpo quando está presente a esse adulto, deve sempre revelar a alguém da sua confiança
  • Evite o uso de roupa/fardamento que possa proporcionar informações acerca da criança
  • Utilize uma palavra de código para quando alguém o for buscar na vez do adulto habitual
  • Existem sites na internet que nos podem ajudar a utilizar uma linguagem mais adequada às crianças e eventualmente serem vistos por elas. Procure-os
  • Faça perguntas acerca do seu dia a dia e coloque questões abertas evitando respostas apenas de sim, não (como, quem, o quê…)
  • Quanto à internet, procure falar sobre a necessidade de privacidade, veja os sites que são acedidos, procurando vigiar, proporcione o diálogo e coloque filtros, imponha limites de tempo do uso dos equipamentos e ofereça alternativas.

Como podemos perceber que uma criança/adolescente possa a estar a ser vítimas de alguns destes comportamentos?

Esteja atento ao humor da criança e de que forma ele se irrita com facilidade ou mesmo se torna agressivo, se chora com alguma facilidade ou frequência, se existem sentimentos de fracasso, alterações de comportamento e disciplina, ansiedade, desinteresse, baixa autoestima, isolamento, alterações do sono e alimentares, dificuldade no controlo dos esfíncteres, comportamentos antissociais, automutilação ou tentativas de suicídio. Sim, infelizmente este tipo de episódios pode causar dores tão fortes que podem conduzir à depressão ou mesmo ao suicídio.

Como podemos evitar que este tipo de situações arrastem as crianças?

Algumas dicas então:

  • Elogiar e reforçar positivamente quando estamos a lidar com baixa auto-estima
  • Em caso de sentimento de culpa ajudar a perceber que não poderia ter o controlo sobre a situação
  • Ajudar a falar sobre pensamentos e emoções e a valorizar o que temos de positivo
  • Planear atividades conjuntas, em família, tentando diminuir o desinteresse e a tristeza
  •  Estabelecer regras e limites e dar exemplos de conduta
  •  Procurar estar sempre atento, sendo um crítico construtivo e promovendo a autonomia
  • Proporcione o diálogo e demonstre afeto
  • Procure um psicólogo

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Patricia Alves
Patricia AlvesPsicóloga Clínica e da Saúde
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