Seremos bons pais? O meu filho tem um diagnóstico e agora?

Seremos bons pais?Seremos bons pais?

O meu filho tem um diagnóstico e agora?

Um dos piores momentos para os pais é quando se apercebem ou quando ouvem das pessoas mais próximas, que algo não está bem com os seus filhos, que estão atrasados na fala ou noutra competência de desenvolvimento. Surgem então sentimentos contrários, por um lado desejo de procurar respostas e por outro, acreditar que com o tempo esses comportamentos serão adquiridos.

Após algum tempo de negação, surge a  necessidade de procurar ajuda especializada, pois a pediatra assim o recomendou. Daí vem o diagnóstico difícil de que a criança tem uma Perturbação do Espectro do Autismo. Surgem como uma enxurrada, todos os sentimentos e emoções dos mais difíceis,…E agora?

As maiores dificuldades por parte dos pais, que os leva a pedir ajuda, são as dificuldades em saber como lidar com o comportamento dos filhos. É frequente o relato de como o comportamento de crianças com PEA ou suspeita deste quadro parece interferir de forma desgastante no dia-a-dia da família e da própria criança.

O Autismo é uma perturbação da relação e da comunicação que condiciona a alteração dos comportamentos e atitudes da criança, afectando a sua capacidade de comunicar, de relacionamento com os outros e de se envolver no ambiente que a rodeia.

Procuram-se todo o tipo de estratégias que  na verdade, poucas parecem ter ajudado com eficácia os pais ou a criança. Pouco parece resultar e aquilo que no fundo são as “coisas simples” e o “tempo de crescer nas pequenas coisas do dia-a-dia”, pode assumir a faceta visível de uma dificuldade e alteração que antes nem sempre foi tão evidente.

Assim, a procura de um apoio especializado no comportamento infantil acaba por ser o mais indicado e fundamental nestes casos, em que a necessidade de compreensão da criança e da origem destas dificuldades se torna necessária.

São comuns os exemplos de problemas relacionados com as rotinas em casa como: a resistência em lavar os dentes, a recusa em tomar banho, em se despir e vestir ou em arrumar os brinquedos e ir para a mesa na hora da refeição.

Muitas das crianças com diagnóstico de Perturbação do Espectro do Autismo (PEA) apresentam dificuldades de adaptação à mudança e à transição. A expressão destas dificuldades pode variar entre queixas (recusar, discutir, atrasar) e alterações comportamentais (birras, agressões). Para estas crianças, uma ordem como “vamos embora” pode representar um duplo desafio – interromper uma tarefa que, para si, não estava acabada; e gerir a frustração que antecipa a desregulação emocional e o comportamento disruptivo.

São muitas as estratégias às quais os pais, podem recorrer para facilitar os momentos de adaptação, mudança ou transição. No entanto, a escolha da estratégia mais adequada para cada tipo de situação poderá variar não só das características da criança, como do momento em que ocorre a mudança, contexto e tipo de transição, entre muitas outras variáveis aparentemente pouco perceptíveis aos pais.

Deste modo, existem algumas estratégias simples, mas que podem fazer a diferença, que podem ser adaptadas com alguma simplicidade pelos pais:

  •       Criar rotinas: isto é, aceitar o diagnóstico de uma perturbação do espectro do autismo implica compreender a possibilidade da presença de rituais, rotinas, padrões de funcionamento e de comportamento, altamente valorizados pela criança. A tendência para valorizarem as rotinas poderá ser eficazmente utilizada para introduzir estrutura e previsibilidade no dia-a-dia da criança, evitando alterações inesperadas;
  •       Pistas visuais: muitas crianças com este diagnóstico são especialmente atentas aos detalhes e à informação visual, por isso, a utilização de esquemas, quadros e outros tipos de pistas visuais poderão fornecer informação visual concreta que permitam à criança antecipar a mudança de tarefa, aceitando-a mais tranquilamente;
  •       Aviso e contagem regressiva: a informação visual ou auditiva pode ser dada para ajudar, por exemplo, a/o filha/o a mudar de tarefa em tarefa pela manhã até ao momento em que sai de casa. Dar a explicação que o tempo de uma tarefa está a acabar e que de seguida será necessário passar para uma outra, inclui o caracter de previsibilidade valorizado pela criança com autismo;
  •       Música: as músicas podem ser utilizadas como forma de monitorizar o tempo entre tarefas. Explicar à criança que no final de uma música será necessário passarr para outra tarefa ou acção permitir-lhe-á percepcionar a passagem do tempo, facilitando a adesão à nova situação;
  •       Antecipar estímulos sensoriais: Na base de algumas recusas poderá estar a antecipação ou a confrontação com ambientes ou estímulos sensoriais indesejados pela criança. Neste sentido, os pais poderão tentar identificar antecipar quais os estímulos que poderão ser desagradáveis ao filho, ajudando-o não só a preparar-se para a exposição, como também a manter-se calmo caso a exposição seja inevitável;
  •       Captar a atenção da criança: um aspecto essencial no uso destas estratégias consiste em captar o mais possível a atenção da criança, de forma a assegurar que as pistas visuais ou verbais foram transmitidas. Descurar deste aspecto poderá significar que a informação não foi recebida e, como tal, a transição não foi antecipada;
  •       Recompensas: escolher uma música no caminho da escola, somar pontos para um objectivo maior, ou até mesmo escolher o brinquedo que deseja levar consigo, poderão ser recompensas eficazes no reforço de comportamentos ajustados;
  •       Elogio: fazer elogios adaptados ao nível cognitivo da criança será sempre uma boa forma de recompensar o esforço despendido.

Ajudar a criança com autismo nas dificuldades de adaptação e de mudança pode representar a diferença entre a aceitação e a birra, a colaboração e a recusa, a socialização e o isolamento, a aprendizagem e o insucesso.

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26/04/2019

Excellent …very helpful💖

America loureiro
26/04/2019

Achei um artigo bastante relevante, informativo, e actual para os vários desafios que vão surgindo nos seres humanos em particular nas crianças, onde os pais deverão assumir cada vez mais atitudes de investigação e perspicácia na busca de soluções cientificamente comprovada para solucionar os problemas que surgirão.

Plinio Andrade
24/04/2019

Muito interessante e útil

Kassandra Morais
24/04/2019

Muito útil.
Parabéns.

Massoxi Valter
Nice da Rocha
Nice da RochaPsicóloga Clínica;

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