Querido Pai Natal, até quando posso acreditar em ti?

Querido pai natal

Querido Pai Natal,

Escrevo-te esta carta, em nome de todos os meus amigos, na esperança de que me possas ajudar a esclarecer os meus pais em relação a algumas perguntas que pairam na cabeça deles.

Podes dizer-lhes que não há uma idade certa até à qual é suposto acreditar em ti? Se acreditamos na tua existência, sempre envolta numa enorme magia, é porque isso está a cumprir alguma função no nosso crescimento. Sei que uma grande parte das crianças, começam a fazer algumas perguntas, recheadas de dúvidas, por volta dos 6-8 anos. Sei que muitos meninos, compreendem que o Pai Natal não existe da forma que achavam até então, enquanto alguém “palpável”, mais ou menos com essas idades. Contudo, também sei que o contexto familiar, o desenvolvimento cognitivo e emocional dos meninos, ou a existência de irmãos mais velhos são fatores que interferem neste até quando acreditam… Se não questionamos, os pais podem respeitar a fantasia e a construção da imagem, do conceito e dos valores, que a família criou, em torno do Pai Natal. Quando começamos a questionar será sinal que alguma coisa deixou de nos fazer tanto sentido e poderá ser o momento de dar resposta às nossas dúvidas.

Sugere-lhes começarem por nos perguntar: “Porque perguntas se existe?” “O que achas que mudaria se o Pai Natal não existisse na realidade?” “Que respostas esperas encontrar?” Depois, diz-lhes que não há problema em dizerem-nos que o Pai Natal pode não existir enquanto pessoa real, mas que a fantasia e a magia em torno desta personagem pode continuar a existir, tornando a época natalícia envolta num saudável universo imaginário especial. A imaginação é uma forma potencialmente saudável de atribuir significado à realidade. Acima de tudo os pais devem tentar dar-nos respostas adequadas à nossa idade, verdadeiras, que esclareçam e, caso seja necessário, que tranquilizem.

Tenho andado a matutar no tema e acho que lhes vou dizer… “Já percebi que o Pai Natal não é uma pessoa real, são os pais que dão os presentes e que contam esta história aos mais novos. Eu já não acredito, mas gosto de acreditar.”

Os pais que não receiem deixar-nos traumatizados com o “momento da verdade”.  Alimentar o imaginário infantil com figuras especiais (Pai Natal, Fada dos Dentes, Unicórnios, Fadas, Super-heróis…), personificando algumas delas, é saudável para o nosso desenvolvimento social, emocional e cognitivo, enquanto isso for fazendo sentido no crescimento. Eles que fiquem tranquilos. Se o mito do Pai Natal fosse encarado, mais tarde, como uma mentira, ao invés de um processo de fantasia saudável, a figura não perduraria no tempo, passando de geração em geração, de pais para filhos. Dizer que o Homem de Ferro come sopa todos os dias ou que a Princesa Sofia se deita cedo todos os dias é encarado como mentira? J

A verdade é que as reações dos meninos tendem a ser imprevisíveis. Há crianças que ficam tristes, zangadas, desiludidas e há crianças que reagem com enorme boa-disposição, alegria e orgulho no sentido de “já sou crescido”. As reações menos positivas tendem a ser transitórias, não deixando marcas de desgosto que perdurem de forma significativa no tempo.

Da minha parte, sinto alegria em torno do assunto e estou confiante que vais ser uma grande ajuda neste propósito de esclarecer os meus pais.

Muito obrigado.

Recebe um abracinho meu.

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Inês Afonso Marques
Inês Afonso MarquesPsicóloga Clínica

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