O meu filho é tão “picuinhas” e cheio de “manias”… Será uma Perturbação Obsessivo Compulsiva?

O meu filho é tão picuinhas. Será POC?O meu filho é tão “picuinhas” e cheio de “manias”…

 Será uma Perturbação Obsessivo Compulsiva?

Ver uma criança a meticulosamente ordenar, agrupar, separar brinquedos ou outros objetos, pode ativar o sistema de alarme dos adultos e gerar questões relativas à “normalidade” desses comportamentos. Na verdade, em crianças pequenas, a existência de certos rituais pode ser um aspeto totalmente normativo no seu processo de crescimento. As crianças experienciam uma explosão em termos de desenvolvimento cognitivo e potencialmente tudo o que as rodeia pode ser transformado numa espécie de jogo ou diversão. Detetar semelhanças e diferenças entre estímulos e agrupá-los de acordo com as suas características pode ser uma tarefa realmente estimulante para pequenos cérebros curiosos. Este é, inclusivamente, um estilo de tarefa estimulada, quer em termos de creche e jardim de infância, como nas brincadeiras entre pais e filhos. Muitos jogos e brincadeiras surgem em torno das ordenações e categorizações. Dá-me todas as peças azuis e só depois as amarelas. Destes animais da história quais é que vivem no mar? Vamos colocar os lápis do maior para o mais pequeno?

Se nos permitirmos a observar uma criança a brincar, com curiosidade, sem julgar, deixando a ansiedade de lado, poderemos deparar-nos com movimentos finos meticulosos e com impasses interessantes – a laranja fica na categoria dos objetos arredondados ou na categoria dos alimentos?

Apesar da frequência da natureza estruturante que certas rotinas e rituais podem ter na infância, a Perturbação Obsessivo Compulsiva pode existir. Uma das grandes diferenças entre o normativo e o patológico reside no facto da POC ser uma perturbação significativamente debilitante (tanto do ponto de vista emocional, como cognitivo e mesmo físico e social) não invocando qualquer sensação de mestria, como os desafios cognitivos que referi anteriormente podem suscitar.

As obsessões são pensamentos, imagens ou ideias, indesejáveis e persistentes que são acompanhados por sensações desagradáveis como ansiedade, nojo, medo ou culpa.

As compulsões, frequentemente chamadas de rituais são ações realizadas com o objetivo de reduzir pensamentos e ideias desagradáveis envolvidos nas obsessões.

Em vez de usar a organização para conhecer e compreender o mundo, a criança com POC usa as suas compulsões para ilusoriamente afastar os receios e inseguranças que, por vezes, o mundo lhe causa. As obsessões, numa perturbação obsessivo compulsiva, como lavar repetidamente as mãos, verificar se deixou os seus carrinhos de brincar na ordem “certa”, ou outro tipo de rituais impactam nas interações sociais, no quotidiano e estão, por vezes, associados a outro tipo de alterações comportamentais, como alterações no sono ou maior irritabilidade.

Embora a prevalência não seja elevada, e em muitas situações os rituais poderem fazer parte do desenvolvimento normativo das crianças, a Perturbação Obsessivo Compulsiva existe na população infanto-juvenil e existem respostas terapêuticas ajustadas às idiossincrasias destas fases de desenvolvimento.

É relevante que os sinais de alerta, as suas preocupações, sejam contextualizados. Se tiver alguma questão, relativamente aos comportamentos que o seu filho manifesta, marque uma consulta de Psicologia.

Na Oficina de Psicologia, temos uma equipa de Psicólogos especializados na área da infância e da adolescência que o poderá apoiar.

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07/04/2019

Um conteúdo de grande relevância e acredito que deveria ser publicado com mais frequência e mais divulgado de forma que chegue em mais lares. Parabéns pelo conteúdo e obrigado.

Elena
07/04/2019

Aprimorar conhecimentos relacionados as fases do desenvolvimento da criança, um conhecimento necessário para a formação de adultos saudáveis já que nenhum bebe vem com um manual de instrução, sendo assim cabe aos pais buscar a devida especialização acompanhar e entender como este caráter esta se formando.

Elena Machado
Inês Afonso Marques
Inês Afonso MarquesPsicóloga Clínica

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