A tecnologia subtrai ou soma?

Subtrai ou soma

Não conseguimos viver sem ela, a não ser que nos mudemos para algum lugar remoto, mas também é muitas vezes considerada como algo de maléfico, que nos retira tempo, capacidade de interagir, que elimina postos de trabalho e que nos pode substituir no futuro.

A tecnologia pode de facto substituir muitas tarefas, porque convenhamos, quem gosta de lavar roupa à mão? Eu definitivamente não gosto… e há bastantes anos que a tecnologia faz isso por nós. Ela foi criada para nos facilitar a vida, para preencher as nossas necessidades, e por isso é tão atraente. Permite-nos poupar tempo, sermos mais produtivos, mais informados. E a internet? É verdade que pode ter imensas desvantagens, mas permite-nos viajar pelo mundo da arte, espaços diferentes daquele que habitamos, ideias fantásticas que, de outra forma, não teríamos acesso.

Algumas preocupações podem ter implicações na nossa saúde e bem-estar. Será que a tecnologia está a arruinar a nossa saúde mental, com níveis mais elevados de depressão, ansiedade, burnout? Principalmente nos adolescentes que é mais quem usa tecnologia, nomeadamente jogos, redes sociais… mas os estudos científicos são inconclusivos. Alguns apontam para uma correlação entre mais tempo passado nas redes sociais ou a jogar e sintomas de depressão e ansiedade, mas outros chegam a conclusões diferentes, em que não há ligação entre uma coisa e outra. A verdade é que a geração anterior já utilizava bastante a tecnologia, como a televisão, e muita gente cresceu à volta da tv. Na actualidade, os smartphones têm muito mais utilidades e estão muito mais acessíveis. Não ficam em casa quando saímos, está ao alcance do bolso. E uma dos problemas é esse: não desligamos. E tal como os computadores e sistemas tecnológicos, precisamos de desligar e reiniciar de vez em quando. E quanto mais o fazemos, mais o nosso sistema poderá estar revitalizado.

A tecnologia tanto nos pode conectar com amigos de infância, com pessoas do outro lado do mundo, mas com os mesmos desafios que nós, e assim não nos sentirmos tão perdidos e sozinhos no mundo, como nos desconecta, do aqui, do agora, do presente. A constante dispersão trazida pela demanda da atualização, de estarmos online all the time, colocamo-nos sempre alerta, o nosso sistema nervoso simpático está ativado para o que virá a seguir, a prontidão para a resposta. Ao ler que cada adulto vê o seu smartphone a cada 5 minutos, fazendo um total de cerca de 200 vezes ao dia, considerei preocupante. Parece não existir espaço para estar sem fazer nada, para desconectar, para entrar em contacto com as nossas sensações, pensamentos, emoções e devaneios, para deixar experimentar descobrir caminhos novos sem GPS, para observar as pessoas no metro sem estar focado em qualquer ecrã, para conseguir conversar com as pessoas na nossa mesa, deixando espaço ao silencio por sis ó e não porque cada um está onnoutro lado qualquer, permitir observar a paisagem sem ter que colocar o postal da selfie.

Claro que factores psicológicos, como a necessidade de ter mais ou menos controlo (ou percepção dele), uma auto-estima mais ou menos elevada, uma necessidade de gratificação mais imediata, a resistência à frustração podem influenciar o quanto a tecnologia pode ter um impacto negativo ou positivo na nossa saúde e bem-estar. 

Alguns pontos são indiscutíveis: ser viciado na internet perturba em larga escala o sono, embora nem toda a perturbação do sono seja fundamentada no uso de internet. Muitas vezes, são apenas pessoas “viciadas” em pensar, em estar alerta.

Se a tecnologia é boa ou má, talvez a conjugação alternativa não seja a mais adequada. A tecnologia, como quase tudo, pode ser boa e menos boa, tudo depende da qualidade e quantidade de utilização. Já que ela veio para ficar e cada vez está mais apurada, que tal utilizarmos com moderação, saber usar de forma inteligente para que nos possa facilitar a vida, mas não nos tire o viver o momento presente.

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Inês Ponte
Inês PontePsicóloga Clínica OP Setúbal
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2019-11-25T00:06:55+00:00Novembro 25th, 2019|Bem-estar, Dependências, Inês Ponte|