A esperança é a última a morrer

A esperança é a última a morrer“A esperança é a última a morrer”

A sabedoria popular tem muitas vezes razão e assenta nas mais ancestrais experiências de sobrevivência. Embora a Esperança seja uma experiência pessoal difícil de definir, o impacto positivo que tem nas pessoas é difícil de ignorar. A Esperança fortalece a determinação, acompanha-nos e guia-nos mesmo nas alturas mais difíceis, incertas e dolorosas.

O que faz com que alcancemos os nossos objectivos? Inteligência, conhecimento, habilidade, atitude, competências, fé, paixão, inspiração, transpiração, optimismo…  Claro, tudo isso, mas,  existe um elemento fundamental que é muitas vezes subestimado. A esperança ajuda-nos a permanecer comprometidos com nossos objectivos e motivados a agir para os alcançar. A esperança dá-nos um motivo para continuar a lutar e a acreditar que as circunstâncias actuais irão melhorar, apesar da natureza imprevisível da existência humana.

Pesquisas recentes da Psicologia Positiva revelam que pessoas com alto nível de esperança obtém melhor desempenho académico (independentemente do seu QI), possuem pensamento divergente (a capacidade de gerar muitas ideias, associações e detalhes) e elevado nível de consciência. E com esperança conseguimos enfrentar os problemas e adversidades utilizando as estratégias e a motivação adequadas, que nos permitem alcançar objectivos  mesmo perante dificuldades, incertezas, reviravoltas e mudanças, fundamentais para fazer as coisas acontecerem.

Esperança significa “esperançar” e não esperar. Significa encontrar caminhos para que as coisas aconteçam,  significa fazer planos e estabelecer metas realistas,  mesmo perante a adversidade. É a esperança, atitude mental positiva, que nos motiva e leva a aumentar o nosso nível de esforço que nos permite encontrar esses caminhos e nos impede de nos entregarmos ao desespero quando as coisas não saem como planeamos.

O que é então a esperança?

De acordo com Snyder et al. (1991) a esperança é um estado cognitivo positivo assente na expectativa de sucesso perante a determinação em alcançar objectivos e desenhar  planos para o garantir. Snyder et al (1991) salientaram a relevância da esperança no contexto do fazer – ou seja, na capacidade de atingir objectivos.

Por outras palavras a esperança é como que o registo instantâneo de um pensamento orientado para objectivos pessoais, salientando a determinação e motivação para os alcançar e a expectativa de que possam ser alcançados.

De acordo com a Teoria da Esperança (Hope Theory – Snyder 1991) esta é uma sustentável força humana que assenta em 3 componentes do pensamento, distintos, mas interligados:

Pensar nos Objectivos – a clara conceptualização de objectivos válidos;

Pensar nos Caminhos – capacidade de desenvolver estratégias especificas para os alcançar;

Pensar na Atitude – capacidade para iniciar e manter a motivação necessária utilizar essas estratégias.

Não falamos assim da esperança ingénua e inocente, que permanece de sorriso na cara nas situações mais absurdamente desagradáveis e difíceis ou profundamente esperançosa quando tudo mostra que algo não vai dar certo ou não vai funcionar.

Esperar que algo aconteça não significa que venha mesmo a acontecer. Esperança não é passividade. Não é somente uma emoção boa. É acreditar, é acção, é motivação. Envolve vontade, perseverança e formas diferentes para se chegar aos objectivos.

Expectativa, do latim exspectātum (“aguardado” ou “em vista”), é a esperança de conseguir ou de realizar alguma coisa.

Quem tem esperança, tem o desejo e a determinação de que os seus objectivos serão alcançados, mas tem também uma série de estratégias (e a capacidade para as procurar e encontrar) para os atingir. A esperança permite-nos olhar os obstáculos com a perspectiva confiante de quem vai conseguir ultrapassá-los e, por isso, estamos mais dispostos a olhar à volta, a procurar formas, caminhos, ferramentas, para o conseguirmos. Ou seja, a esperança não corresponde apenas à vontade ou desejo de se chegar a determinado lugar, mas também à definição das diferentes formas para lá chegar.

Para além de nos ajudar a prosperar, a esperança pode ajudar-nos a sobreviver. E o instinto de sobrevivência do ser humano é de uma força quase inesgotável. No entanto, no extremo inferior do espectro da esperança estão as pessoas que perderam a vontade de viver. Pesquisas que datam de há décadas mostraram que a desesperança está ainda mais associada ao suicídio do que a depressão.

E hoje, 10 de Setembro, no dia Mundial do Suicídio optei por falar de Esperança.

A esperança é um atributo humano multifacetado. Normalmente classificado como uma emoção positiva, ocorre geralmente quando as circunstâncias são negativas ou incertas. Como as que hoje vivemos!

É decididamente um factor cognitivo, mas tem uma qualidade afectiva única que nos fornece a motivação para procurar resultados futuros. A esperança pode ser classificada como uma emoção antecipatória positiva. Ou seja, a esperança é uma emoção positiva experimentada em relação a um resultado que ainda não ocorreu. A esperança é um processo motivacional que assume que todo comportamento humano é baseado no esperado. Ao mesmo tempo, é um estado que experimentamos ou mantemos intencionalmente. Decidimos ter esperança ou recusamo-nos a desistir por medo de consequências reais, psicológicas ou mesmo morais que podem ocorrer se não tivermos esperança. E os tipos de resultados que esperamos são tão variados quanto as emoções são complexas. Eles vão desde a esperança em relação ao mundo, a uma promoção, à recuperação de uma doença, ou até mesmo a uma esperança divina.

A esperança não desaparece necessariamente perante a adversidade; na verdade, a esperança perdura muitas vezes, apesar da pobreza, guerra e fome.  Tantas histórias de resiliência e esperança já ouvimos da 2ª Grande Guerra Mundial! Incrível não? Embora ninguém esteja isento de vivenciar eventos desafiadores na vida, a esperança promove uma orientação para a vida que permite uma visão fundamentada e optimista, mesmo nas circunstâncias mais desafiadoras.

No confinamento tínhamos esperança. Como qualquer expectativa estava associada à possibilidade razoável de que algo viesse a acontecer. Era razoável esperar! Tínhamos encontrado caminhos e comportado de forma a alcançar os nossos objetivos de não adoecermos e de não contaminarmos.  Tínhamos confinado cedo, tínhamos sido bem-comportados e éramos por todos reconhecidos. Éramos um exemplo a seguir! Éramos um orgulho! As nossas expectativas não eram uma simples esperança irracional e baseada na fé.  Perante tanta incerteza a nossa esperança era, apesar de tudo, que pudéssemos voltar a ser livres e com saúde.

A liberdade que aguardávamos com esperança não chegou. Vamos à rua, onde agora encontramos muito mais gente, com algum medo e maior stress. Com necessidade de maior proteção e distanciamento, mas, simultaneamente, mais difícil de conseguir. As rotinas que nos tinham dado segurança e alguma tranquilidade estão agora novamente alteradas sem que ainda não nos tenha sido possível encontrar outras, que nos devolvam a concentração e o foco, e uma sensação de previsibilidade, controlo e segurança.

De acordo com Crocker (1998), a terapia da esperança ajuda a melhorar a satisfação, e a resiliência ao criar efectivamente uma tríade cognitiva positiva; uma visão positiva de si mesmo, do mundo e do futuro.

Muitas experiências e emoções podem ameaçar a esperança. Por exemplo, quando se percebe que o desfecho de uma situação não pode ser controlado, pode ocorrer desesperança (Yeasting & Jung, 2010). A maior ameaça à esperança é a sensação de incapacidade ou impotência para implementar o tipos de mudanças que as pessoas desejam para as suas vidas. Quanta impotência e incerteza estamos hoje a sentir  perante esta pandemia sem fim à vista. Mas temos esperança, verdade?

As relações sociais e o apoio são fundamentais e críticos no desenvolvimento da esperança. Enquanto a ausência de apoio pode levar ao isolamento, desesperança e falta de motivação, um indivíduo com uma rede de suporte sólida é mais capaz de imaginar possibilidades e alternativas positivas (Adams & Partee, 1998).

Como acontece com qualquer característica humana, algumas pessoas tendem a ser mais esperançosas do que outras. Pessoas com esperança também tendem a ser melhores no estabelecimento de metas. “Uma pessoa que tem muita esperança tende a ter mais objectivos e é mais rápida em se concentrar em outra se ela falhar”, diz Arnau. Quando desafiados por uma crise, as pessoas menos esperançosas tendem a “fechar as portas”. Pessoas esperançosas são mais propensas a tomar medidas para lidar com a situação.

Se quer ter esperança, tem que agir como se a tivesse.”

Sem um fim claro da pandemia à vista, é importante desenvolver e manter um relacionamento saudável com as coisas que não podemos saber e não podemos controlar. A mudança da forma como  pensamos e enfrentamos a incerteza ajuda-nos a criar resiliência (Capacidade para recuperar de situações conflituosas e adversas, mantendo o equilíbrio e a responsabilidade. Luthans, 2002b.)  e traz-nos uma perspectiva mais positiva e de esperança (Estado motivacional positivo, resultante da interacção entre: Agência – grau em que o indivíduo crê ser capaz de atingir um dado objectivo; Definição de Planos – capacidade para formular planos eficazes para alcançar esses mesmos objectivos. Snyder, Irving & Anderson, 1991; Snyder, Sympson, Ybasco, Borders, Babyak & Higgins, 1996.

Quem perde a esperança, pode perder o sentido na vida, e abraçar o desespero, o desapontamento e a decepção. A esperança traz motivação bem-estar  e uma maior satisfação com a vida.

Refª

The Unique Psychology of Hope

What is Hope in Psychology

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25/11/2020

Quem espera, sempre alcança.

Sara
Cristina Sousa Ferreira
Cristina Sousa FerreiraPsicóloga Clínica

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