Preocupação normal ou excessiva?

Preocupação normal ou excessivaAmanhã vai ter uma entrevista de trabalho e está preocupado com o facto de poder não ficar selecionado? Apesar de preocupado, está a conseguir viver o dia de hoje de uma forma normal e vai conseguindo controlar essa preocupação, entretendo-se com outras coisas, por exemplo? É normal! De facto, todos nós, ao longo da nossa vida, vamos tendo algumas preocupações que nos deixam ansiosos, dada a dúvida ou a incerteza inerentes a certas situações. O que deixa de ser normal é, se de repente, perceber que não é só esta entrevista de trabalho que o preocupa hoje, mas muitas outras situações, e quase todos os dias. Por exemplo, que nunca conseguirá encontrar um trabalho, que poderá ter algum problema de saúde ou que tem medo que tenha acontecido algo aquele seu amigo que não lhe atendeu o telefone. E, depois, torna-se difícil controlar essas preocupações. Isto porque as tem frequentemente, sente-se muito ansioso com as mesmas e, com isso, sente-se irritado, tenso, cansado ou, na verdade, até nem consegue dormir muito bem. Já para não falar no facto de não conseguir parar todos estes pensamentos de preocupação. Quando tudo isto acontece, podemos estar a falar daquilo a que se chama Ansiedade Generalizada.

 

Como lhe disse anteriormente, e com certeza sabe melhor do que ninguém, é natural que, ao longo da nossa vida, nos preocupemos com várias questões que nos vão surgindo. Como tal, também é natural que possa ainda ter algumas dúvidas se a sua preocupação é normal ou excessiva. Deixe-me então dizer-lhe, em primeiro lugar, que aquilo que distingue realmente a preocupação normal da excessiva tem, sobretudo, a ver com a natureza e quantidade das preocupações. Em segundo lugar, e para perceber melhor o que é isto da natureza e da quantidade, experimente perguntar a si próprio “Neste momento, estou preocupado com uma situação real e específica, como com aquele meu familiar que está doente e se irá recuperar bem?” ou “Neste momento, estou preocupado com o facto de poder acontecer alguma catástrofe, sem que nada aponte para isso ou com o facto de aquela pessoa de quem eu gosto muito poder ficar doente?”. Repare como o primeiro pensamento corresponde a uma situação específica e real, enquanto o segundo pensamento corresponde a várias situações hipotéticas. Repare o quão está preocupado e se isso influencia ou não o seu dia-a-dia e as várias áreas da sua vida, como o trabalho ou as relações com os outros. Observe, depois, se apesar de preocupado, consegue controlar essa preocupação ou se esta é de todo incontrolável e acompanhada por vários sintomas físicos como o coração acelerado, inquietação, tensão muscular… Por último, tente perceber se este estado frequente de preocupação com as mais variadas questões existe há pelo menos seis meses.

 

Conseguiu tirar as suas dúvidas? Existe sempre a hipótese de pedir ajuda de um profissional para esclarecer as suas dúvidas e para aprender a lidar com toda esta ansiedade que lhe tem retirado qualidade de vida.

Quando falamos de Ansiedade Generalizada, falamos da existência de uma preocupação e ansiedade constantes sobre várias situações do dia-a-dia, sendo estas desproporcionais à probabilidade real ou ao impacto do evento antecipado. Esta preocupação excessiva tem um impacto significativo no dia-a-dia da pessoa e em várias áreas da sua vida, como no trabalho ou nas relações interpessoais. Se tiver dúvidas quanto ao facto de poder estar a passar por uma perturbação de ansiedade generalizada, faça este teste rápido.

 

Provavelmente já pensou, então, que poderia viver bem melhor se não estivesse constantemente preocupado com questões que, normalmente, não correspondem sequer à realidade. Deixo-lhe então algumas sugestões de como pode lidar com este problema. Se mesmo assim, continuar a ser muito difícil, procure um Profissional de Saúde Mental que possa ajudá-lo a melhorar a sua qualidade de vida, diminuindo esta preocupação excessiva que o faz sentir-se constantemente ansioso.

Inês Chiote Rodrigues
Inês Chiote RodriguesPsicóloga Clínica
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2018-06-01T13:35:16+01:00Julho 19th, 2017|Ansiedade Generalizada, Inês Chiote Rodrigues|
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