Luto, para além da biologia

Luto para além da biologia

Luto, para além da biologia

Quando se fala de luto, a tendência é sempre associar à morte de alguém próximo de nós e muito querido.

Mas a verdade é que luto vai muito para além da perda de ente queridos e durante a vida passamos por vários processos de luto relacionados com diversos contextos sociais e afectivos em que nos encontramos inseridos.

Por exemplo, o final de um relacionamento amoroso envolve a gestão de um projecto sentimental que um dia foi idealizado com carinho e esperança e que pode causar profunda tristeza e sensação forte de perda.

Outro exemplo de luto é a perda de um emprego, que para muitos pode ser de fácil superação, mas que acarreta grande investimento emocional para ultrapassar e construir novos planos, traçar novas metas pessoais e profissionais.

A perda de um animal de estimação também constitui um momento muito difícil para muitas pessoas e compreende uma fase de readaptação sem aquele elemento querido na vida.

Estas são apenas algumas situações em que existe perda e por consequência sentimentos de tristeza associados que frequentemente são desvalorizados como luto mas que causam igual sofrimento e desconforto.

Portanto, podemos olhar para o luto como o forçosamente “estar sem”. Estar sem algo muito desejado, muito apreciado e de grande importância para a pessoa. E o desafio, o maior desafio é como ultrapassar, como gerir, como superar.

O luto não deve ser evitado, bem pelo contrário é necessário reconhecer a sua existência e importância e tentar passar pelas suas fases e momentos específicos sem ideias pré-concebidas nem falsos conceitos de coragem e força. Apenas desta forma, se poderão evitar os efeitos adversos de um processo mal gerido, como o luto patológico.

A superação de uma perda envolve vários estágios e um deles é aceitar que é um processo inevitável, natural e que é comum a todas as pessoas. Em algum momento todos nós vamos experimentar uma perda ou o sofrimento inerente a ela. É necessário compreender que cada pessoa sofre de forma diferente, portanto permita-se sentir as suas emoções e se tiver que chorar, chore o quanto precisar. Suprimir os sentimentos e negar o sofrimento pode levar a que o luto, que é um processo normal se torne uma patologia.

Deixe que cuidem de si neste momento difícil que está a viver.

Conversar com amigos ou falar sobre os seus sentimentos com pessoas que já tenham passado pela mesma experiência que a sua, tem um poder cicatrizante, não o subestime.

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Yara Ginga
Yara GingaPsicóloga Clínica; CEO OP Angola

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