Squid Game e seus semelhantes

Squid Game e seus semelhantesA série Squid Game tem andado na boca do mundo, que é como diz, na boca dos adultos, mas também na boca das crianças e adolescentes. De facto, a série televisiva sul-coreana é, atualmente, um verdadeiro fenómeno, sendo a série mais visionada na plataforma Netflix. Embora não seja o primeiro fenómeno com conteúdos inapropriados para crianças, tem suscitado, legitimamente, a preocupação de educadores.

A premissa da série antevê desde logo um foco acentuado em conteúdos violentos: num contexto literalmente mortal, centenas de jogadores do Squid Game são confrontados com jogos infantis, tais como o macaquinho do chinês, em que perder equivale a morrer, com recurso a imagens de natureza explícita.

A série está facilmente acessível na plataforma Netflix e as redes sociais têm contribuído para a sua proliferação. Perante o fácil acesso, também crianças e jovens têm estado atentos ao fenómeno.

Porque é que é uma preocupação?

  1. Diversas meta-análises (estudos que compilam diversos resultados de diferentes investigações) convergem na evidência de que a exposição a conteúdos violentos nos media aumenta a probabilidade de comportamentos agressivos em crianças e adolescentes.
  2. A exposição a conteúdos violentos contribui para a dessensibilização face a agressividade, atitudes agressivas e comportamentos antissociais.
  3. As crianças não estão equipadas para visionarem conteúdos com violência, ainda que acompanhados por supervisão parental, uma vez que não há maturidade, de um ponto de vista de desenvolvimento cerebral, para a visualização de conteúdos visuais explícitos e violentos, e é possível que a exposição aos mesmos fomente a exponenciação de medos evitáveis e/ou que amplifique medos pré-existentes.
  1. As crianças não dispõem de contexto, enquadramento ou referências para temas adultosabordados na série. Enquanto conteúdos infanto-juvenis traduzem conteúdos complexos num formato acessível a crianças, séries como Squid Game ou conteúdos semelhantes, direcionadas a adultos, não contêm essa contextualização.

Que papel compete aos pais?

Aos pais compete a responsabilidade de terem em atenção ao que os seus filhos veem nos media, que considerem a natureza mais ou menos explícita, a extensão e contexto da violência figuradas e os riscos que lhe estão associados, a capacidade de distinção da criança entre realidade e fantasia (por norma mais estabelecida entre os 5/6 anos), e que acompanhem as mensagens que a criança retira dos conteúdos assistidos, sejam eles quais forem – ou seja, não só o que a criança vê, mas sobretudo que entendimento que esta faz do que vê.

Acima de tudo, os pais são responsáveis por conhecerem e falarem com os seus filhos, acompanharem o seu desenvolvimento e assegurarem amplitude de diálogo, sobretudo no caso de adolescentes em que a proibição não é a via mais apropriada ou eficaz.

Daniela Muro Silva

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Daniela Muro e Silva
Daniela Muro e Silva Psicóloga Clínica Área Infanto-juvenil
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