Beber ou não beber? Eis a questão.

Beber ou não beber? Eis a questão.O álcool permanece, desde há milénios, como uma das drogas mais comuns e aceitáveis entre a sociedade. O consumo de álcool marca a história da humanidade, assumindo-se como um veículo essencial para o funcionamento e o quotidiano de várias personagens históricas, desde Churchill a Hemingway.

Na antiguidade clássica, o consumo de álcool era festejado, associado a banquetes e promovido por Dionísio, deus das colheitas e do vinho. As suas descrições implicavam sempre largos banquetes e festas, cheias de dança e divertimento, onde os participantes eram levados ao êxtase, pela embriaguez.

Hoje temos consciência dos efeitos do álcool e do seu impacto em nós. Sabemos como afecta o funcionamento do cérebro, nomeadamente nas áreas afectas ao balanço, memória e fala, bem como, do efeito a longo prazo do seu consumo excessivo. Contudo, o consumo de álcool continua a ser uma parte integrante do nosso quotidiano, assumindo-se até por vezes, como um rito de passagem para a vida adulta.

Druk (2020) filme do dinamarquês Thomas Vinterberg, vencedor do óscar de melhor filme estrangeiro, aborda precisamente as diferentes características do álcool e do seu consumo, desde quando ele é feito com moderação, como elemento de festejo, até as dificuldades e consequências sociais do mesmo, quando é consumido em excesso.

A premissa do filme baseia-se na ideia de um psiquiatra noreguês que refere que o ser humano nasce com um défice de 0.5% de álcool no sangue e como o seu consumo aumenta a performance laboral, quebra barreiras sociais e permite a quem está a beber ser mais livre.

Martin, Tommy, Peter e Nikolaj, todos eles amigos, colegas e professores na mesma escola, sentindo-se derrotados pelo rumo que a sua vida tomou, decidem numa noite, dar início à experiência do psiquiatra, esperando com isso, melhorar as suas vidas.

Definem um conjunto de regras de modo a não exceder a barreira dos 0.5% e começam todos os dias, antes do início das aulas, a consumir o suficiente para atingir esse número, esperando como justificação para a sua aventura, escrever um estudo científico sobre a validade da teoria.

Numa fase inicial tudo corre bem, todos eles conseguem melhorar a performance a nível laboral, mostrar-se mais desinibidos, cativar os seus alunos e sentir-se vivos pela primeira vez em décadas. No entanto, rapidamente se perdem e decidem aumentar o consumo e ultrapassar o 0.5% que tinha sido definido. A partir do momento em que o fazem, exemplificado também no filme, deixam de sentir os efeitos determinados como positivos do álcool, para passar a correr o risco de alcoolismo. O alcoolismo caracteriza-se como dependência do álcool, onde quem o consome perdeu qualquer responsabilidade ou controlo sobre o uso.

Existem várias opções de análise neste filme, contudo, o ênfase deste texto, não é na análise das personagens, mas sim naquilo que as leva ao consumo. Uma das características que é transversal a todas as personagens do filme e que surge igualmente no nosso quotidiano, é a falta de significado para a vida, a perda de entusiasmo, a sensação de que a vida estagnou.

A personagem principal, protagonizada por Mads Mikkelsen, Martin, indiciava estar deprimido antes do início do consumo e encontrou no álcool uma maneira de solucionar os seus problemas, oferecendo-lhe um alento novo à vida. Mas este alento, não passou de uma maneira de camuflar os problemas que tinha anteriormente, era para todos os efeitos, uma solução rápida.

E é muitas vezes isto que leva ao consumo ou à adição de substâncias, a procura de uma resposta ou um refúgio para os nossos problemas do dia a dia, esperando que naquele momento em que estamos alcoolizados, tudo isto desapareça ou se resolva.

O que acontece é exactamente o inverso, o consumo de álcool, acaba por agravar as problemáticas de saúde mental já existentes, como é o caso da depressão ou da ansiedade. Este consumo não afecta somente a pessoa, mas as relações sociais, podendo alienar a própria família ou amigos, levando a um isolamento cada vez maior e a um agravar desse consumo.

Enfatiza-se portanto, a necessidade, cada vez mais premente, de trabalhar na prevenção destes comportamentos, quando se tornam abusivos. Olhar para nós e perceber, através de ajuda profissional quais as nossas fragilidades e como podemos encontrar as soluções para as mesmas que não passem por estes consumos.

O acompanhamento psicológico pode ajudar a motivar a mudança de comportamento, ao focar-se nas razões que levaram a pessoa aos seus consumos, identificar os gatilhos que levam aos mesmos e desenvolver estratégias que permitam à pessoa lidar com situações de risco de consumos abusivos.

O álcool e o consumo excessivo do mesmo tem várias consequências que impedem o normal funcionamento das pessoas. Consequências essas que surgem de imediato e se podem perpetuar caso este consumo vá além da moderação.

No fim, Druk, serve não apenas como um aviso às consequências negativas do álcool, mas também como uma metáfora para quando o seu consumo, moderado, pode ser um veículo para celebrar a vida e não a destruir.

Referências:

https://www.apa.org/topics/substance-use-abuse-addiction/alcohol-disorders

https://www.imdb.com/title/tt10288566/

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Diogo Gonçalves
Diogo GonçalvesPsicólogo Clinico
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