Amores na infância

Tempo de Leitura: 5 min

OP-amores na infanciaDesde o nascimento inicia-se a caminhada do ser humano pelos trilhos do amor. O bebé “namorisca” e seduz os cuidadores, em busca de conforto e segurança. Mesmo antes da sedução ser feita de forma consciente, as raizes do amor, o “toque” e a “química” estão presentes na formação dos primeiros laços afectivos, com os cuidadores principais.

Uma criança que diz estar apaixonada, mergulha num mar de emoções e sensações, complexas, que até aí não tinha sentido. Simplificando, a criança encontrou outra criança com quem se sente bem a partilhar o seu tempo, o seu espaço e as suas brincadeiras. Se contemplarmos o Amor como algo complexo que concilia atracção sexual, prazer mútuo, compatibilidade social, conhecimento emocional, amizade e romantismo, que despoleta o sentido de cuidado, compromisso e plenitude… Estamos a falar de amor sob a forma de amizade.

Não existe uma idade rigorosa para se falar mesmo de amor/paixão. A maturidade será um indicador mais adequado. À medida que a criança cresce e se desenvolve fisica, social e emocionalmente, mergulha em novas emoções e sensações progressivamente mais complexas e, eventualmente mais intensas, que desconhecia até então.

As crianças em idade pré-escolar partilham muitas brincadeiras com muitas crianças. Se a criança mostra particular prazer em brincar com uma criança do sexo oposto, o adulto não deverá começar a dizer que as crianças são namorados. Nesta idade as crianças começam de facto a tomar consciência da sua sexualidade, mostrando curiosidade. No entanto, as suas relações com os pares devem ser fomentadas no sentido da amizade e da partilha e não tanto da relação amorosa dos namorados. Mais do que “impingir” namorados desde tenra idade, pais e cuidadores podem partilhar com as crianças a alegria de se estar apaixonado.

Na idade escolar, a partir dos 6 anos surgem as primeiras “paixões assolapadas” por algum colega ou mesmo professor. O assunto namoro pode começar a surgir, podendo a criança depois não voltar a mostrar interesse no assunto durante meses. Desde que não surjam comportamentos desadequados (como a incapacidade em falar de outras pessoas/outros assuntos), os pais não necessitam valorizar demasiado estes “amores precoces”.

Com a chegada da adolescência, as questões da paixão e do amor assumem outras proporções, gerando mesmo algumas ansiedades com a perspectiva de saídas a dois. E

é também nesta fase que surgem as maiores ansiedades por parte dos pais, com os receios dos abusos emocionais e da sexualidade a pairar. Por tudo isto, no início da adolescência os pais, mais do que resisitir e proibir, devem encorajar o jovem a participar em programas em grupo, como idas ao cinema ou almoços com grupos de amigos. Para jovens mais velhos, as relações amorosas assumem-se como mais sérias e intensas. Por esse motivo, os pais podem sempre incentivar a que o adolescente encontre um equilíbrio entre a relação com o namorado e a sua vida com o grupo de amigos e família. Os pais devem procurar conhecer a pessoa com que o filho tem uma relação, bem como frequentemente mostrar o seu interesse pela relação, procurando não ser demasiado intrusivos e respeitando alguma privacidade sobre o assunto.

Independentemente da idade, é importante sempre respeitar e levar a sério os sentimentos que a criança diz ter. Incentivar, desprezar ou proibir em nada contribuem para o desenvolvimento emocional da criança. Desvalorizar os sentimentos da criança, dizendo por exemplo “ainda és muito novo” fará com que a criança/jovem se sinta rídiculo e possa começar a recear exprimir os seus pensamentos e sentimentos. Mais importante que rotular se o que a criança/jovem sente é uma paixão verdadeira ou não, ou julgar se ela tem idade para saber o que é estar apaixonado, os pais podem desde cedo modelar e conversar sobre formas adequadas e respeitadoras de expressar apreço pelos outros. Pode mostrar interesse genuíno por aquilo que a criança ou jovem descreve, fazendo algumas questões. “O que mais gostas nesta pessoa? O que é que a vossa relação te faz sentir?…”

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22 de Fevereiro, 2026

Ola, minha filha de 6 anos me contou que estava apaixonada por um colega não vou negar não estava preparada psicologicamente para tal descoberta acolhi pois ela estava com medo de represália mas quando viu e sentiu que eu não estava brava nem com raiva explicou mais fiquei temerosa pois ela disse que e um sentimento que ela não sabe explicar e disse que não fala com o menino por vergonha fiquei feliz por ela me contar e pudemos ter uma conversa no qual eu mais ouvi que falei

Lais
22 de Outubro, 2025

Muito bom. Meu filho está passando por uma “paixão” agora, aos seis anos de idade (quase sete) e está difícil para ela. A menina é mais velha, tem uns 10 ou 11 anos rsrs. Ele quer ser aceito por ela. Obrigada pelo texto!

May
Inês Afonso Marques
Inês Afonso MarquesPsicóloga Clínica

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