A importância do estabelecimento de objetivos para a eficácia do processo psicoterapêutico

A importância do estabelecimento de objetivos para a eficácia do processo psicoterapêuticoAo iniciarmos um processo de psicoterapia, nem sempre temos muito claro aquilo que queremos mudar. Sabemos que algo não está bem, que precisamos de ajuda, que as coisas não podem continuar como estão mas, ao certo, nem sempre sabemos a direção que queremos dar à nossa vida. Um dos principais pontos de partida na psicoterapia é o estabelecimento de objetivos. E porque é isto tão importante? Vamos ver…

De acordo com um estudo de DeFife & Hilsenroth (2011), a qualidade da relação estabelecida entre terapeuta e cliente é fundamental para a manutenção do processo psicoterapêutico (prevenindo o final abrupto ou precoce deste processo), assim como para o sucesso da terapia.

Foram destacados três fatores centrais que têm um impacto relevante para o sucesso do processo psicoterapêutico, sendo eles:

1) expectativas positivas (quando terapeuta e cliente acreditam que o processo será bem-sucedido);

2) preparação do papel de cliente (quando o cliente está informado acerca do processo psicoterapêutico, do que é esperado de si e de que forma pode contribuir para o seu próprio processo);

3) formulação colaborativa de objetivos terapêuticos.

Focando-nos na formulação de objetivos, importa destacar que esta foi considerada essencial para a garantia da qualidade da terapia, permitindo orientar o processo terapêutico e avaliar os resultados do mesmo. Ou seja, uma boa definição de objetivos poderá facilitar o sucesso do processo psicoterapêutico! Assim, ao definir objetivos, importa ter em mente que estes podem:

  • ser definidos a curto ou longo-prazo;
  • cobrir vários domínios do funcionamento (domínio laboral e domínio social, por exemplo);
  • ser específicos (diminuir a frequência de determinado comportamento, p. ex.) ou gerais (melhorar os níveis de satisfação nas relações que mantenho com os outros, p. ex.).

Uma outra forma de estabelecer objetivos, pode ser definida em termos de:

– aproximação (focados num fim positivo, tendo como objetivo aproximar-se ou manter um resultado desejado);

– evitamento (focados num fim negativo, querer afastar-se ou deixar de se sentir de determinada forma).

Sobre esta forma de estabelecimento de objetivos, foi elaborado um estudo por Wollburg e Braukhaus (2010), onde foi possível perceber que, na amostra estudada, a definição de objetivos teve um impacto na forma como os clientes evoluíram ao longo do tratamento. De acordo com estes autores, pessoas que tinham formulado objetivos de evitamento reportaram menos melhorias sintomáticas, quando comparadas com o grupo que formulou objetivos de aproximação.

Para além da definição e negociação de objetivos, é importante que estes possam ser medidos, de forma a que o progresso possa ser registado formalmente (através de alterações nos critérios de diagnóstico ou com recurso a instrumentos de avaliação), ou através das observações de clientes e terapeutas. É essencial que estes objetivos sejam revistos periodicamente, de forma colaborativa, sendo importante o reconhecimento e reforço do progresso atingido.

Face a tudo o que foi dito anteriormente, em suma, importa reter que os objetivos terapêuticos são fundamentais como guia para orientar e como forma de medir a evolução do próprio processo terapêutico. Adicionalmente, a forma como estes objetivos são formulados tem um impacto grande no sucesso da terapia, sendo que objetivos formulados por aproximação, ou seja, objetivos formulados de forma positiva, apresentam resultados e processos terapêuticos mais bem sucedidos!

Referências bibliográficas

DeFife, J. A. & Hilsenroth, M. J. (2011). Starting off on the right foot: Common factor elements in early psychotherapy process. Journal of Psychotherapy Integration, 21(2), 172-191. DOI: 10.1037/a0023889

Wollburg, E. & Braukhaus, C. (2010). Goal setting in psychotherapy: The relevance of approach and avoidance goals for treatment outcome, Psychotherapy Research, 20(4), 488-494. DOI: 10.1080/10503301003796839

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Ana Lúcia Domingues
Ana Lúcia DominguesPsicologia Clínica e Psicoterapia
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