Pessimismo e depressão – mito ou ciência?

“Se fosses mais optimista, não estarias tão deprimido” – Mito ou ciência?

Eventos negativos e inevitáveis ao longo da vida….

Quem não os teve, tem, ou acha que terá, atire a primeira pedra.

Todo o ser humano, mais tarde ou mais cedo, com menor ou maior intensidade, passa por situações inesperadas e maioritariamente stressantes ao longo do seu percurso de vida. Estes infelizes acasos podem ser de grande dimensão, como uma doença grave ou uma catástrofe natural, mas também de menor dimensão como um assalto, problemas relacionais ou outras quezílias do dia-a-dia. E ainda podemos adicionar a esta equação situações futuras potencialmente geradoras de stress como começar um novo emprego, escola, ou até uma nova relação, etc.

Talvez por isso a analogia “a vida é uma montanha russa” seja tão famosa. Altos e baixos, pequenos e grandes loops, de pés para o ar, mais rápido ou devagar, todos temos bilhete neste carrossel. Infelizmente, algumas das pessoas percorrem uma montanha russa onde só parecem existir loops e descidas de cabeça ao contrário, mas na maioria dos casos, o carrossel tem momentos para acalmar as energias, embora também não escasseiem algumas reviravoltas. E é precisamente destes pequenos momentos de cabeça para baixo de que lhe falo hoje. Ou melhor, de como se agarrar da melhor forma ao seu assento na montanha russa, para que consiga ultrapassar o pequeno loop sem grandes dificuldades e com a maior rapidez possível. Isto porque se não sentir que está a ter uma viagem de montanha russa prazerosa, se não se sentir confortável e seguro no seu assento, poderá estar a fazer a viagem de uma forma stressante e geradora de mau estar psicológico. Ou seja, e trocando por miúdos mais científicos, quanto mais esta exposto ao stresse destes acasos menos felizes da vida, maior a probabilidade de prejudicar a sua saúde mental, e de iniciar quadros depressivos.

Então mas como percorrer estes pequenos loops de montanha russa sem grandes desconfortos?

Pois parece que a ciência sugere mesmo que sejamos otimistas. Mas não seáa isto tudo uma grande superstição? Não, na verdade a ciência explica que o otimismo está relacionado com a forma como interpretamos a realidade e os nossos acontecimentos de vida, que em consequência tem grande influência na forma como lidamos com o mundo e connosco e como nos comportamos.

Proponho-lhe dois cenários distintos: o do pessimista e o do otimista.

  1. O pessimista pensa – “Nunca vou conseguir sair deste loop, não há nada que possa fazer para mudar isto e só vejo reviravoltas na minha montanha russa” – ou seja:
    1. Perceciona um loop na montanha russa como interminável (ou em linguagem mais científica, o evento adverso de vida é percecionado como permanente).
    2. Que por mais que ele tente nada pode fazer pois só existem loops (sentimento de falta de controlo sobre a situação)
    3. E que outras partes da montanha russa são também assim, só loops (generalização da dificuldade para outras áreas da vida)
  1. O otimista pensa – “Ufa, vai passar em breve, é só este loop e depois é a direito e vou tentar fazer com que o loop passe mais rápido” – ou seja:
    1. Vê um loop que passou ou que está prestes a enfrentar como limitado no tempo (temporário)
    2. Sente também que pode fazer alguma coisa para ultrapassá-lo mais rápido (sentimento de controlo sobre o evento adverso)
    3. E que o loop que está a a passar ou irá enfrentar em breve não implica o prazer da viagem na sua montanha russa (é específico e não generalizável a outras áreas da vida)

Em que cenário acha que o protagonista terá melhor bem estar psicológico e mais prazer na viagem de montanha russa? O otimista claro está. E a verdade é que a ciência nos mostra isto através de vários estudos.

E agora das duas uma… ou está a ler este artigo e a pensar que interpreta a sua má sorte com muito otimismo e isso o tem ajudado a persistir apesar de todas as adversidades por quem tem passado;  ou está a rever-se no pessimista e preocupado com as implicações disso mesmo. Caso se reveja no pessimista, não desespere! Há solução para praticamente tudo na vida, e neste caso, existe “o otimismo aprendido”, como Martin Seligman, fundador da psicologia positiva, até intitulou um dos seus livros.  Como aprender? Com a ajuda de um psicólogo clinico.

E criar um novo hábito? Um hábito mental de optimismo, de uma forma simples, começando por passos pequenos! No artigo explicamos-lhe como e na apresentação abaixo encontra um exercício específico para treinar uma atitude optimista perante a vida.

Sara Taveira
Sara TaveiraPsychologist; CEO OP NZ
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2018-03-01T20:04:57+00:00Fevereiro 16th, 2018|Depressão, Desenvolvimento Pessoal, OP New Zealand, Sara Taveira|
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