O desejo na gravidezA gestação é um dos momentos mais marcantes e bonitos na vida das mulheres, principalmente para aquelas que sempre sonharam em ser mães!

Durante a gestação, a mulher vivencia um período de reorganização corporal, bioquímica, hormonal, familiar e social que a faz ficar propensa a uma multiplicidade de sentimentos. E nem tudo é cor-de-rosa… ansiedade, insatisfação, insegurança, incerteza e medo da experiência desconhecida… podem acompanhar todo o período gestacional. Muitas vezes as alterações corporais são acompanhadas por sentimentos de perda da auto-estima devido a percepções subjectivas de fraca atractividade física e incapacidade de sedução. Frequentemente também subsiste a ideia de irreversibilidade relativa à imagem corporal anterior à gravidez. A intensidade das alterações psicológicas dependerá de fatores familiares, conjugais, sociais, culturais e da personalidade da gestante.

Mesmo quando planeada e desejada, a Gravidez tem repercussões a vários níveis do relacionamento do casal, implicando que ambos façam adaptações no sentido de manter ou melhorar a qualidade de vida de que desfrutavam antes da gravidez ocorrer, sendo a sexualidade um desses aspectos. A actividade sexual durante a gravidez é extremamente importante, pois os sentimentos de prazer e intimidade contribuem de forma expressiva para uma interacção e bem-estar do casal, apesar de se observar uma tendência de decréscimo à medida que a gravidez progride.

 

O desejo sexual durante a gravidez varia de mulher para mulher, acontecendo o mesmo ao homem. Mas, muitas vezes, esta diminuição do desejo relaciona-se com medos associados à própria gestação, saúde do bebé, possibilidade de um parto prematuro… ainda que a hipotética influência da actividade sexual sobre o feto tenha vindo a ser estudada ao longo dos anos e não acarrete risco aumentado para o bebé.

 

Torna-se, providencial que Sexualidade seja abordada com o casal pelos técnicos de saúde, no sentido de informar acerca da flutuação normal da actividade sexual neste período; considerar possíveis sentimentos, receios e dificuldades que surgem com maior frequência a este nível; alertar para outras formas de experienciar a sexualidade: carícias, actividade não-genital, masturbação, diferente posicionamento coital de modo a diminuir o desconforto para a mulher. Depois do parto, deve de igual modo proceder-se a uma avaliação global do estado de saúde física da puérpera, no sentido de proporcionar um aconselhamento individualizado acerca da possibilidade de retorno à actividade sexual.

Autora:Tânia Barata

Psicóloga clínica