
Até aqui tudo normal, mas o problema surge quando este medo persiste em não nos quer deixar… quando não diz respeito apenas a uma situação, mas a vários contextos do nosso dia-a-dia e nos está a impedir de fazer muitas coisas que queremos.
Aqui ficam alguns exemplos mais comuns:
- Medo de conduzir
- Medo de falar em público
- Medo de alturas
- Medo da água
- Medo de sítios fechados
- Medo que algo aconteça ao meu filho/a
- Medo de viajar
- Medo do escuro
Ao olharmos para a nossa história de vida facilmente iremos perceber o momento em que este medo se instalou. Por vezes há um acontecimento determinante, que sentimos como muito perigoso e que vai determinar a forma como vivemos aquela situação e outras semelhantes. Por exemplo: Em criança fui mordido pelo cão da minha avó, foi horrível, muito assustador! Ainda hoje tenho medo sempre que ouço um cão ladrar. Outras vezes, o medo vai-se instalando devagarinho através do que nos dizem e da forma como o vivemos e mesmo sem nunca termos estado numa situação semelhante, podemos ter medo dela. Por exemplo: Nunca me aconteceu nada de especial na praia, porque eu sempre evitei entrar no mar. A minha mãe dizia sempre para eu ter muito cuidado, para não sair da beirinha e contava-me a história de um menino da minha idade que se afogou no mar.
O que acontece é que muitos destes medos não correspondem inteiramente à realidade. O nosso cérebro tende a codificar esta informação como perigosa, logo como algo de que nos devemos afastar. Nesta situação assistimos a duas formas de processamento da informação mais habituais:
Generalizar: Um único medo começa a ser estendido a situações semelhantes, mesmo que estas nunca se tenham revelado perigosas. Por exemplo: Ao ser mordida por um cão em criança posso desenvolver um medo por todos os animais com pelo, pois só o facto de estar em contacto com eles me lembra aquela situação e me deixa ansiosa.
Catastrofizar: Isto acontece quando o nosso cérebro aumenta o perigo real, criando um possível desfecho para a situação, que habitualmente é muito negativo e catastrófico. Por exemplo, se conduzir na cidade vou ficar nervosa, vou deixá-lo ir a baixo, já não vou conseguir arrancar, vou ficar parada no meio do trânsito se conseguir fazer nada.
Estas formas de processamento da informação, tornam-se cada vez mais salientes na nossa mente e damos muita importância a este tipo de pensamentos. Porém, como poderá perceber, nem sempre é assim e muitas vezes temos de desconfiar do nosso medo e enfrentá-lo.
Porquê enfrentar o medo?
- Porque o medo se torna invalidante. O medo protege-nos de vários perigos, mas até um certo ponto. Quando ele começa a limitar vários passos da nossa vida e nos leva a evitar muitas situações que gostaríamos de ultrapassar, tornamo-nos obedientes ao medo e não à nossa vontade. Mas, quem está em controlo da sua vida, você ou o medo?
- Porque o medo pode não ser real. O que nos garante que muitas vezes aquilo que tememos vai acontecer? Muitas vezes nada nos garante, mas o nosso pensamento faz-nos crer que o que tememos vai mesmo acontecer. Quer desafiar a sua cabeça e experimentar?
- Porque quanto mais fugimos e evitamos, mais o medo aumenta. Em última análise, não enfrentar o nosso medo deixa muita margem à nossa cabeça para fantasiar sobre possíveis perigos e desfechos para a situação. É como se disséssemos à nossa mente que é o facto de eu não enfrentar a situação que me tem protegido, pois de outra forma, seria horrível, apesar de não o sabermos. Seja detetive da sua vida, teste o medo!
Tome controlo da sua vida!
Questione o seu medo, antes que ele não lhe dê espaço para viver.
“A emoção mais antiga e mais forte da humanidade é o medo, e o mais antigo e mais forte de todos os medos é o medo do desconhecido.” Hp Lovercraft
“Nunca dê às costas para seus medos, se o fizer ele irá virar um monstro, se o enfrentar poderá domesticá-lo e tratá-lo.” Augusto Cury
Quero dizer também que o medo é pessoal, logo não pode ser medido e muito menos comparado com outros medos. Ele também é ilógico e irreal. Pode aparecer por um trauma psíquico na infância que te acompanha durante anos, e é você quem decide se vai levar seu medo junto ao seu túmulo ou irá tratá-lo. O medo é sem duvida o sentimento mais angustiante que uma pessoa pode ter, ele aprisiona, destrói a vontade de seguir em frente. Acaba com o prazer pela vida. Nunca tenha medo de falar dos dias mais tristes de sua vida, somente um líder de sí mesmo não hesita em falar de suas fraquezas e dificuldades.