Já lhe aconteceu andar doido de trabalho e tarefas e obrigações e listas de coisas a fazer? E dá por si em manobras de evitamento, adia, nem sabia que tinha essa capacidade para arranjar boas desculpas para enterrar a cabeça na areia e ir protelando aquela imensidão de isto mais aquilo.

Pois… Acontece-nos a todos. E quando não é com tarefas objectivas, coisas que podemos ir riscando de uma lista, é com temas emocionais – por vezes o copo enche. A preocupação com A, a angústia de B, a ansiedade com C e mais uma outra preocupação e talvez mesmo um medo de qualquer coisa que espreita ali à esquina. E mais uma vez o evitamento, o não enfrentar, o não resolver.

Nestas fases – sim, porque são fases – convém que rapidamente consigamos restabelecer a boa ordem dos dias. Porque isto de ir protelando o que urge ser feito não são só sensações que temos e que imaginamos, não é preguiça, fraqueza ou falta de força de vontade. É o cérebro a fazer aquilo que está desenhado para fazer! A cada tarefa não cumprida que se junta à lista, o cérebro abre um foco de ansiedade. Ora a ansiedade cria uma reacção universal de evitamento, o que é lógico – afinal, quem é que nasceu para sofrer? Se dói, a motivação humana é de fugir à dor, claro. Por isso, quanto maior a nossa lista, maior a ansiedade e maior o evitamento.

Mas este é um ciclo muito pouco funcional, verdade? Porque se não resolvemos os temas, continuamos a somar vontade de os não resolver e assim, é difícil chegar a bom porto. Então, o que fazer nestas situações?

Ponha um papel em branco à sua frente. Agora escreva tudo o que tem para fazer. Tudo, mas mesmo tudo e nãos e enerve só porque a lista requer mais umas folhas… Feito? Então, agora, risque todas as coisas que têm a irrelevância suficiente para serem deitadas fora. Sim, há muitas coisas que, num mundo ideal feito de dias com mais de 24 horas, poderiam ser feitas, mas, na vida real, sobretudo quando estamos avassalados de trabalho, têm de ser objecto de desistência. Há que saber abrir mão do perfeccionismo, do “devo”, do “sempre o fiz”. Se o tecto não lhe cair em cima, nem de si nem de ninguém, pelo facto de não fazer isso, risque-o. Diga-lhe adeus, cante uma marcha fúnebre e pense que melhores dias virão.

Feito? Então agora ponha uma marca à frente de tudo o que é simples e se despacha numa ou duas horas. Olhe para a agenda. Perca o amor a um dia, ou uma tarde ou manhã. Desligue telemóvel, feche o email, barrique-se dentro de uma sala. E, munido de um espírito fanático de dever a cumprir, atire-se a estas tarefas, uma a uma, concentrando-se em despachá-las e não a ganhar o prémio Nobel da perfeição. À medida que for despachando as tarefas, vá riscando-as do papel. Que tal a sensação?

Então agora sobram as outras. As grandes. As importantes. As críticas. As auto-estradas que o levam directo aos seus objectivos ou se encaixam na perfeição nos seus valores de vida. Mas agora o somatório de neurónios que dentro do seu cérebro gritam de ansiedade já diminuíu consideravelmente, por isso, o instinto de evitamento já é bem menor e exige menos esforço da sua parte. Mas, mesmo assim, Roma e Pavia não se fizeram num dia e, por isso, olhar para uma tarefa grande e que leva tempo pode ser assustador. Susto = ansiedade = evitamento. Portanto, vai precisar de um truque.

Seleccione uma das tarefas grandes e escreva-a noutro papel. Agora parta-a aos pedacinhos: todas as coisas que têm de ser feitas e que, no seu conjunto, representam a tarefa completa. Passo a passo, em passinhos de bebé. Depois comece pelo primeiro passo e vá riscando um a um até que possa riscar essa tarefa. E assim sucessivamente, até que tudo tenha retomado a ordem na sua vida.

Lembre-se que uma maçã grande se come da mesma forma que uma maçã pequena: uma dentada de cada vez. De preferência, com dentadinhas pequeninas 🙂

Bom trabalho!