Tenho POC ou sou PPOC?

Tenho POC ou sou PPOC?Ser ou estar, até que é um tema que me faria escorrer tinta pelas páginas: temos uma condição problemática ou ela define-nos como pessoas? Sou uma pessoa com um problema ou um problema feito pessoa? 🙂

Aplica-se a todas as situações, médicas ou psicológicas, e é de elevada importância na forma como cada um conduz e usufrui a sua vida. Mas não é disso que lhe quero falar hoje.

Porque a Perturbação Obsessivo-compulsiva (POC) tem tendência a baralhar-se com algo de muito diferente: a Perturbação de Personalidade Obsessivo-compulsiva (PPOC). É assim um daqueles casos de nomenclatura infeliz e que já bem poderia ter sido corrigido para não atrapalhar ninguém…

E é muito diferente porque uma coisa não implica a outra, porque a sua expressão é diferente, e porque até a forma de intervir é muito diferente. E, no entanto, cerca de 30% das pessoas com POC têm também PPOC, o que acrescenta dificuldade ao seu tratamento e costuma ser considerado um marcador de severidade.

Por isso vamos esclarecer: a Perturbação Obsessivo-compulsiva está extensamente explicada aqui, e pode consultar os detalhes da PPOC aqui.

As diferenças principais

Na perturbação obsessivo-compulsiva, temos obsessões e compulsões, sendo que as obsessões se referem a pensamentos, imagens mentais ou sensações que surgem à mente, sem convite, e geram uma reação emocional de forte ansiedade ou aflição. As compulsões são actos, comportamentais ou mentais, organizados de uma forma ritualística, difíceis de poderem ser parados antes que se cumpram determinadas circunstâncias ou regras e/ou que haja uma sensação de conclusão.

Já a personalidade obsessivo-compulsiva, uma das perturbações de personalidade mais frequentes (algures entre 2 a 8%, consoante os estudos) é marcada pela preocupação com a organização, o perfeccionismo e o controlo mental e interpessoal, às custas da flexibilidade, abertura e eficiência.

Quem sofre desta perturbação sente-se impelido a manter o controlo, com uma atenção extrema a regras, pormenores triviais, listas e procedimentos, a um ponto em que os aspectos importantes das suas actividades se perdem.

Os princípios morais tendem a ser rígidos e a relação com os outros é marcada por uma baixa demonstratividade afectiva.

No trabalho, as pessoas com PPOC tendem a ter boas posições, dada a sua dedicação extrema. No entanto, têm problemas em situações que requerem flexibilidade e capacidade de compromisso, e podem chegar ao seu limite, com elevada exaustão, pelo recurso a estratégias desajustadas de perfeccionismo excessivo, demasiada atenção ao detalhe e dificuldade em delegar tarefas, temas que concorrem para as dificuldades no cumprimento de prazos, pelo menos sem um prejuízo elevado da sua qualidade de vida.

Como vê, são duas situações muito distintas entre si.

Já a sua correcção também é muitíssimo diferente. Enquanto que para a POC estão apuradas linhas de intervenção bem definidas e eficazes, o mesmo não se pode dizer para a PPOC, ficando mais ao juízo clínico informado e experiência de cada psicólogo clínico e da saúde a escolha das melhores estratégias correctivas.

Madalena Lobo
Madalena LoboCEO; Psicóloga Clínica e da Saúde

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2018-08-29T14:23:37+01:00Setembro 4th, 2018|Madalena Lobo, Personalidade, Perturbação obsessiva-compulsiva|
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