O stress dos 6 meses

O stress dos 6 mesesHá tanto ciclo na vida – uns conhecidos e bem demonstrados, outros nem por isso e, provavelmente, a maior parte, apenas imaginados, como a comichão dos 7 anos (lembra-se do filme com a Marylin Monroe, que criou esta crença popular de que as relações a dois começam a ter problemas lá para os 7 anos de duração?).

Mas lá que a vida é feita de ciclos, grandes e pequenos, penso que nenhum de nós terá dúvidas. E hoje gostava de o alertar para o stress dos 6 meses. E vou já dizendo: não conheço nenhuma validação científica deste horizonte temporal aplicado ao stress – é apenas uma observação minha.

Falar de stress é como falar do nada… Porque cada autor lá o define à sua maneira, cada estudo incide sobre uma definição, e cada pessoa usa o termo para se referir a uma realidade diferente. Por isso, digo-lhe já a que me refiro quando digo a palavra “stress”: o conjunto de adaptações que o organismo tem de fazer quando está perante alterações (internas, como numa doença, por exemplo; e externas).

Não é preciso sequer notar que a pandemia criou elevadíssimos índices de stress para toda a gente, pois não? Adaptação tem sido a palavra do dia para todos nós.

Atenção porque o stress não é moralista: não sabe distinguir bom de mau. Por isso, não são só as dificuldades que requerem adaptação que nos causam stress. Também as coisas boas: o nascimento de um filho ou uma promoção no trabalho, com novas responsabilidades em anexo, por exemplo.

Mas a neurofisiologia do stress parece ter três tempos: há a agitação imediata, com a descarga de adrenalina, que nos prepara para o embate. Há, depois e num segundo tempo, a activação de mecanismos de segunda linha para suster um embate que se prolonga para além de um susto inicial. E, finalmente, há o impacto noutros sistemas corporais, todos eles articulados com o sistema nervoso, à medida em que a reacção de adaptação se vai prolongando e começando a retirar o foco interno desses outros sistemas e a desgastá-los (sistema cardiovascular, imunitário, endócrino, etc). Este terceiro tempo é habitualmente definido como stress crónico, no qual o organismo está repetidamente a ser activado e a ser-lhe exigido que se mobilize para uma acção adaptativa.

Toda a neurofisiologia do stress, nos seus três momentos, corresponde à produção e libertação de determinados químicos no organismo, e qualquer químico tem um tempo de vida até ser reabsorvido ou eliminado de forma natural – e que pode ser longo. Por isso, numa situação de stress que se arrasta num tempo, podemos ir sentindo coisas diferentes, dando por sintomas que se vão modificando, porque correspondem a uma neurofisiologia e impacto nos sistemas que suportam os mecanismos de vida que vão progredindo e modificando-se.

Mas vamos voltar ao nosso stress dos 6 meses. Com clientes com perturbação obsessivo-compulsiva em acompanhamento já anual, a minha experiência diz-me que devo fazer uma marcação de consulta cerca de 6 meses depois de uma situação de stress conhecida e que posso antecipar. Por exemplo, o nascimento de um filho ou uma mudança planeada de casa. E, regra geral, não me engano. E porquê com pessoas que sofrem de POC? Porque esta é uma perturbação que faz uma estreita parceria com stress – aumenta o stress, e aumenta a sintomatologia da POC. Mas não é de imediato – conseguem-se marcar os tais de 6 meses.

E isto também se aplica na maioria dos casos de Perturbação de Ansiedade Generalizada, cujo “trabalhar” neurofisiológico tem sobreposições com a POC.

Ora, estou a falar-lhe disto agora porque vamos com 6 meses de pandemia e, por isso, é natural que possa estar a ter um ressurgimento de sintomas, caso tenha uma perturbação ansiosa pré-existente. Ou que esteja a sentir uma maior impaciência, perturbações de sono, dificuldades de concentração, uma sensação de receio geral ou um estado de preocupação acrescida. Todos estes elementos são sinais comuns de uma ansiedade que se elevou. Também é provável que comece a sentir o desgaste característico do stress que perdura no tempo: fadiga, inércia, desmotivação, dificuldade em manter-se focado.

Se achar que não está a conseguir reverter a situação, valerá a pena marcar consulta, naturalmente. Entretanto, sabe que as suas reacções são esperadas no cenário actual – o que não são é inevitáveis, nem têm por que não ser corrigidas para que possa retomar serenidade e produtividade.

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Madalena Lobo
Madalena LoboCEO; Psicóloga Clínica e da Saúde

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    2020-09-02T20:33:40+01:00Setembro 2nd, 2020|Ansiedade, Madalena Lobo, Psicoterapia, Stress|
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