Formatos de pensamento

Formatos de pensamentoQualquer um de nós sabe responder à pergunta: “O que está a pensar?”, verdade? Bom, a não ser que seja muito distraído, ou esteja em greve de pensamentos 🙂

O que todos nós já temos é alguma dificuldade em responder à pergunta: “Como está a pensar?”. Provavelmente, ficamos sem fazer a mais pequena ideia sobre o que é suposto respondermos, porque nenhum de nós está habituado a pensar sobre a forma como pensa. Mas este é um tema importante e que pode comportar algumas soluções para diversas experiências internas que causam mal-estar.

É também um tema vasto, que nunca seria possível gastar num artigo simples. Por isso, e a propósito do formato de pensamentos, trago-lhe hoje umas pequenas dicas organizadas em torno de duas categorias de formatos que costumo ter presentes quando escuto um cliente.

Pensamentos acelerados

São muito comuns nalgumas perturbações ansiosas ou em período de stress. É como se a cabeça tivesse posto prego a fundo, ligado o turbo, em pensamentos sucessivos, que se atropelam, em sequência rápida e não há como os parar. Se nunca lhe aconteceu, pode achar que é um estado eficiente – mais vale pensar rápido do que devagarinho… Mas, se já lhe aconteceu, sabe o desgaste que isto traz consigo, além de dificultar muito a concentração no que se está a fazer. Também, e por causa do estado ansioso subjacente, costumam ter um carácter mais fragmentado do que nos é habitual, pouco completos, mais misturados uns com os outros.

Em caso de aceleração, experimente agarrar numa folha de papel, e começar a escrever aquilo que se escuta a pensar. Repare, estou a pedir-lhe que assuma o papel de ouvinte… de si. E que pouse a caneta no papel e escreva exactamente o que ouvir de conversa interna, sem preocupações de frases completas ou gramaticalmente correctas. Apenas aquilo que ouvir. De uma forma geral, passados poucos minutos, vai reparar que há uma desaceleração interna.

Pensamentos em loop

Sabe quando uma mesma ideia não nos larga? Volta e torna a voltar, por muito pouco que a queira ter por companhia. E isto normalmente acontece porque é um tema sem resposta possível, porque não há forma de demonstrar qualquer das respostas possíveis, ou porque é um tema que requer verificação, por medo de falha de memória, e assim se vai eternizando (porque, depois de verificar, terá de verificar a verificação).

Os pensamentos em loop são extremamente desgastantes também e criam autênticos círculos viciosos de ansiedade. E o pior que têm é virem sempre com um conteúdo com grande força de atracção – que tem grande significado para quem o pensa. Seja porque tem impacto na noção de profissionalismo de cada um, na forma como cada qual constrói os seus processos de identidade pessoal ou com noções de responsabilidade – a dúvida que estes pensamentos inserem é sempre acompanhada de grande dose de ansiedade.

Neste tipo de situações, são úteis todas as estratégias de interrupção + substituição. E o que quero dizer com isto?

Interromper o bla-bla interno de qualquer forma, tem de ser o primeiro passo – assim como quem carrega no travão de uma máquina que vai lançada numa direcção. Desde mover-se bruscamente, ir beber um copo de água, até estratégias mais complexas como limitar-se a observar os pensamentos a fluírem fora de si, desenvencilhando-se desta conversa, como quem apenas a escuta, mas não participa dela.

E deve ser logo seguido de uma substituição de conteúdos de pensamento. O cérebro está sempre a trabalhar – em milhares de coisas, incluindo a produção cognitiva. E o cérebro é a sede, também, dos nossos hábitos, por isso, se não lhe oferecer nada a que se dedique, em alternativa ao loop anterior, bastam meros segundos para ele retomar o hábito anterior. Tenha à mão alguns temas a que possa aplicar a força de produção cognitiva: desde pensamentos sobre tarefas que tem por fazer, a memórias de situações agradáveis, passando por tarefas que o obriguem a um raciocínio orientado por objectivos e/ou produtivo.

Se está a pensar que estas duas sugestões, cada qual para um formato distinto de pensamentos é mais fácil de dizer do que de fazer, tem toda a razão! Distinguir conteúdo de processo cognitivos é, já de si, uma tarefa imensa. E, depois, conhecer e saber aplicar as inúmeras estratégias que permitem retomar uma actividade cognitiva interna mais tranquila e útil, interrompendo ciclos sintomáticos de ansiedade, mais complexo é, se for feito sozinho, sem o apoio de um psicoterapeuta.

Se estiver a passar por situações de ansiedade, não hesite em procurar o apoio de um psicólogo clínico e da saúde. E, enquanto marca e não marca a sua consulta, vá experimentando estas dicas mais simples, caso esteja a experienciar pensamentos acelerados ou em loop.

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Madalena Lobo
Madalena LoboCEO; Psicóloga Clínica e da Saúde

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    2020-08-31T17:49:47+01:00Agosto 31st, 2020|Desenvolvimento Pessoal, Madalena Lobo|
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