As janelas partidas

As Janelas partidasAcompanha-me numa viagem no espaço e tempo? Vamos ali num instante à Nova Iorque dos anos 70. E o que encontramos? Uma cidade pouco simpática para os turistas, dominada por violência e criminalidade, considerada uma das metrópoles mais perigosas do mundo. Daquelas em que pensamos duas vezes antes de entrar no metro ou passearmos à noite pelas ruas.

 

Voltemos lá em finais da década de 90. E agora? Agora Nova Iorque está dominada por… souvenirs com o icónico

I love ny

do designer Milton Glaser impresso em todas as superfícies, das canecas, às T-shirts. Uma cidade onde nos passeamos com tranquilidade e gosto. Hoje a cidade é considerada uma das mais seguras, e das favoritas de turistas de todo o mundo

 

O que aconteceu nesse espaço de tempo? Várias coisas que confluíram para esta melhoria dramática na segurança, mas aquela que ficou mais conhecida é a “estratégia das janelas partidas”, do mayor Giuliani.

Esta estratégia resume-se ao seguinte: tendo zero tolerância para com as infracções relacionadas com qualidade de vida, como a vagabundagem ou a destruição de espaços públicos ou fachadas de edifícios, consegue-se deter a pequena criminalidade, o que, por sua vez, vai fazer diminuir a grande criminalidade.

Dito de outra forma: tratando-se do pequeno, quase irrelevante, consegue-se prevenir o grande, de elevado impacto.

 

Voltemos aqui e agora, e entremos no universo das organizações. De vez em quando, chegam à primeira página dos jornais os exemplos de violações de direitos dos trabalhadores – dos assédios, mobbing, autoritarismos diversos, os actos de quem pode a esmagar quem não pode. Para grandes males, grandes remédios e estes casos são tratados a nível judicial, com mais ou menos fanfarra e, infelizmente, com mais ou menos resultados práticos. Nada que qualquer um de nós os dois consiga alterar. Mas conseguiremos impedir o caminho para lá chegar?

E é aqui que a estratégia das janelas partidas se torna interessante. Se eu fôr acautelando as pequenas incivilidades, micro-agressões de que sou alvo no dia-a-dia, vou prevenindo a escalada que leva ao abuso profissional (estou a falar da área profissional, mas o mesmo é válido em qualquer outra esfera do funcionamento humano).

 

Vá reparando no que passa a cada momento consigo no local de trabalho. E uso a palavra “reparando” nos dois sentidos em simultâneo: tomar atenção e consertar. O colega que o interrompe nas reuniões. O chefe que comenta um aspecto da sua personalidade (“é sempre distraído”) em vez de um resultado (“esqueceu-se de colocar isto no relatório”). O colega do outro departamento que não lhe responde em tempo útil, os elementos de equipa que chegam atrasados às reuniões marcadas. Quando começamos a ter consciência do que nos incomoda a cada momento, encontramos oportunidades de melhoria que, se forem devidamente reparadas, levam as relações interpessoais para um outro nível de respeito e tranquilidade.

 

Deixo-lhe uma nota de alerta: se não estiver confiante das suas competências comunicacionais, será melhor aprender a comunicar de uma forma assertiva e de acordo com as boas práticas de gestão de conflitos, para não correr o risco de se tornar um micro-agressor ao tentar corrigir as micro-agressões de que é alvo.

Madalena Lobo
Madalena LoboCEO; Psicóloga Clínica e da Saúde

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2018-04-30T16:58:09+00:00Novembro 2nd, 2017|Carreira, Madalena Lobo, Relações|
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