As compulsões na perturbação obsessivo-compulsiva

Anteriormente, falei-lhe das obsessões da Perturbação Obsessivo-Compulsiva (POC). E hoje falo-lhe das compulsões, que são o aspecto mais visível desta perturbação do foro ansioso. Vamos ver as mais frequentes e como se interligam com as obsessões?

As compulsões na perturbação obsessivo-compulsiva

As compulsões na POCEu disse que eram a componente mais visível? São, de facto; mas podem não ser! Porque apesar da maioria das compulsões ser overt – feitas de comportamentos – há, também, compulsões covert – executadas em pensamento. E, como algumas pessoas com POC apenas têm compulsões covert, aparentam não as ter. Por isso, às vezes, fala-se em Puros “O”, isto é, pessoas a quem à POC lhes caíu o “C” e são puramente obsessionais, mas isto não corresponde à realidade. O caso extremo que me consigo lembrar é o caso de pessoas que, sem mais qualquer outro sintoma, ruminam incessantemente sobre um ou mais temas, habitualmente de natureza intelectual ou existencial, consumindo nisso uma fatia muito significativa de tempo, num loop incessante, sem qualquer conclusão (são apresentações raras). No entanto, esta aparente actividade interna obsessional é, ela própria, uma compulsão que visa expulsar a ansiedade da dúvida.

As compulsões são aquilo que cria desgaste intenso nos familiares e pessoas chegadas a quem tem POC. O resto, está escondido na actividade mental de cada um, pelo que apenas desgasta o próprio. E não é raro que os familiares dêem sinais de impaciência e exaspero, com uma pequena parte de si que acha – gostaria de acreditar – que ele ou ela poderia parar se o quisesse verdadeiramente. Costumo explicar aos familiares que ter POC é, em certa medida, como gaguejar: não é pela força de vontade que se consegue parar de o fazer e quanto maior a possibilidade de crítica que se enfrenta, pior o resultado. Se lida de perto com uma pessoa com POC, sugiro-lhe que leia este pequeno documento que lhe preparei, que explica a situação e lhe dá dicas úteis para a gerir, naquilo que está ao seu alcance.

E ainda antes de o deixar com o pequeno vídeo que fiz para lhe explicar as principais compulsões, deixo-lhe duas notas: uma é de que pode saber como se trata a POC neste outro artigo. E um ponto importante, que atrapalha tanto pessoas com POC, como os próprios psicólogos que as tratam: a POC tem muitas configurações de sintomas possíveis (há, até, POC relacional e POC de orientação sexual, por exemplo) e, pior do que isso, estas configurações têm uma certa tendência a ir mudando ao longo da vida ou à medida que o tratamento progride: desaparece uma e, se não se está atento, a POC está a mostrar a sua cara noutra configuração completamente diferente que nem sempre o próprio consegue identificar como POC. E este é mais um dos motivos pelos quais é fundamental procurar tratamento especializado – por oposto a generalista – quando se sofre de Perturbação Obsessivo-Compulsiva.

Madalena Lobo
Madalena LoboCEO; Psicóloga Clínica e da Saúde

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2018-09-01T11:51:45+00:00Setembro 9th, 2018|Madalena Lobo, Perturbação obsessiva-compulsiva|
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